Soltam-se as amarras
deste navio imaginario
esta na hora de zarpar
para o horizonte solitário.
Navega-se perdidamente
para o desconhecido em frente
pulando ondas e espuma
numa corrente de plumas.
Perscruto o horizonte,
procuro o que não se vê
sinto-o no céu cinzento
como quem uma mensagem lê.
Alcanço-o, mas deixo-o fugir
amarrá-lo a terra não posso
envolvê-lo sem o partir
tão pouco o consigo
Este desejo táo frágil
como um cristal de gelo
esfumaça-se de forma ágil
quando alguém tenta vê-lo
Navego neste barco
de leme partido
sem direcção ou sentido
passando por baixo do arco
formado por estilhaços
e fumos de pó de estrelas.
Deito-me no convés
e olho as estrelas
que calmas e serenas
me vigiam e protegem a seus pés
Para onde me leva a corrente?
Deixo-me levar olhando para a noite estrelada
e adormeço lentamente
enquanto no meu navio sou arrastada.
Deixo-me levar lentamente
para o meu pequeno local de refúgio
o meu mundo dos sonhos.


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