quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Perdi-me

Perco-me no tempo e no espaço
numa forma que não é minha
num ser que não sou eu
numa realidade onde não existo
num mundo onde não pertenço

Perco-me no tempo e no espaço
num sonho que não sonhei
numa vida que não existe
num momento tão fugaz
que é a minha existência

perco-me de mim
perco-me de todos
perco-me de ti
e dos demais seres

Perco-me no meu mundo
na obscuridade da minha mente
na escuridão do meu coração
no silêncio da minha voz
no vazio do meu olhar
na frieza do pensamento
de um dia me voltar a perder

Corro sem direcção
oriento-me sem sentido
encontro-me e volto a perder-me
na tristeza de uma lágrima
no sopro de um beijo esquecido
num abraço que sufoca-me a alma

Abro os olhos
por ínfimos segundos
o tempo que estive perdida
sem limite nem forma
não foi mais do que breves minutos
num pensamento de solidão
na rapidez de um olhar vazio
no sentimento de uma emoção

Recolho-me no meu mundo
a única protecção que me resta
desmoronam-se os meus castelos
que em tempos me protegeram
desfaz-se o meu sonho
de um dia me encontrar
numa forma que me pertença
num ser que seja eu
numa realidade onde possa existir
num mundo onde possa pertencer

Perdi-me no tempo
perdi-me no espaço
perdi-me de tudo
e perdi-me de mim
acordo no meu ser e apercebo-me
que perdi-me e encontrei-me
para no fim entender
que me perdi para não mais ser encontrada

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