segunda-feira, 17 de maio de 2010

Prisioneira...

Olho para o relógio
conto as horas
os minutos e os segundos.
Presa entre quatro paredes
olho para o único
relógio da sala.
Espero por um momento
por uma porta que se abra
por entre estas paredes nuas,
um escape para o outro lado.
Sentada no meio da sala
em cima dos meus joelhos
permaneço quieta e silenciosa
a olhar para o relógio
contando o tempo que não passa
num clima estático e parado
que retarda os ponteiros.
Vagueiam os meus pensamentos
por um mundo que não existe
enquanto espero
por uma resposta
ou por um sinal que não chega.
Espero pacientemente
sentada no meu lugar
olhando para o mesmo ponto
que ameaça parar o relógio
e quebrar os ponteiros
para um tempo infinito.
Sentada no meu lugar aguardo
espero ver os ponteiros quebrarem-se
e esvoaçarem pela sala
pois ai saberei que estou livre
do tempo que me prende neste lugar.
Partiram-se...
os ponteiros partiram-se
e abre-se a porta que tanto esperei.
O tempo deixou de me subjugar.
Sou livre como um pássaro
dentro da minha mente.
Pisco os olhos...
os relógio continua a funcionar de forma melancólica
com os seus ponteiros lentos.
Uma mera ilusão
um desejo que ferve dentro de mim.
Volto a permanecer quieta e fecho os olhos
e escuto o som do relógio
e desta sala fria e nua.
Ouço passos por cima do som do relógio,
abro os olhos e ponho-me à escuta.
Agora sei que não estou a sonhar.
Abre-se uma porta secreta
e aparece um vulto que rebenta com o relógio
apenas com um olhar de revolta.
Fixo-o nos seus olhos,
agarro a mão que ele me estende
e saio daquela sala maldita.
O tempo deixou de me comandar,
agora estou livre desta prisão eterna
e voo para um lugar longínquo
onde o tempo não existe.
Voo para o meu lugar
seguindo este ser estranho
que recusa-se a me comandar,
um ser solitário que se aborreceu da solidão
e me veio buscar para companhia....

1 comentário:

  1. Podes crer que o tempo é uma prisão!
    Como é...
    Quando dou por mim às vezes passam-se meses sem fazer nada do que queria. Mas a vida é mesmo isto, estamos condenados a viver subjugados ao tempo, aos minutos e segundos.

    Deixo-te um beijo,
    Janine

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