quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Pedi um anjo...

Pedi um desejo às estrelas
um pequeno e tímido desejo
do fundo do meu coração desejei
e desejei até me faltarem forças
que me enviassem um anjo
para me proteger e amar.

Riram-se de mim e do meu desejo,
responderam-me que era impossível
tal desejo realizar
pois os anjos não existem
são seres mitológicos
criados pela mente fraca dos humanos
para mascarar o que não conseguem alcançar
para esconder o que não existe.

Chorei e chorei sem parar
escondi-me num canto e cobri
meu rosto com as minhas mãos nuas.
Vergonha me toma e me afoga
num enlace de fumaças sufocantes
contorce minha mente
e meu coração
por ter desejado tal ser.

Queria apenas um anjo
ou alguém
que me pudesse proteger com suas asas de prata
me envolvesse num abraço de paixão
e me amasse
num amor sem medos nem pudor
que sorri-se e sussurra-se
eu amo-te e quero-te.

Escondi-me das estrelas
num manto de escuridão e vazio,
escondi-me,
para nao mais ser desfruída
por ter desejado algo tão tolo,
o que apenas uma mente solitária quer

Veio a lua até mim,
mãe e raínha dos amores platónicos
senhora da noite e dos segredos,
sussurrar-me que o meu anjo me esperava
na superfície de um lago de prata
onde apenas eu podia chegar.

Levantei-me e corri,
lágrimas ainda correndo no meu rosto
em busca do tal lago.
Corri e encontrei
o anjo que desejara,
sorrindo aproximou-se
e com o seu toque suave limpou-me as lágrimas
Carregou-me em seu colo
e levou-me para longe.

Com suas asas envolveu-me,
abraçou-me com seus fortes braços
e beijou-me com paixão

Olhou para as estrelas e riu
da tolice que me haviam dito
riu-se e riu-se
das mentiras das estrelas
invejosas por terem perdido o anjo
que lhes devia proteger e amar
perderam o anjo para mim
porque quiseram ser egoístas
e o anjo cansou-se de tal.

Olhou-me novamente e disse-me
que o seu amor era eu
que me protegeria para sempre
com suas asas de cetim e prata
que nunca mais seria gozada
e não voltaria a estar só.

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